terça-feira, 16 de outubro de 2018

O Homem e o Caranguejo.


Foto Paulo Carvalho

O Homem e o Caranguejo.

Maciel Melo.

Dizem que, entre os caranguejos, os de baixo puxam os de cima. Mas, olhando por outro ângulo, vejo que, na verdade, eles penduram-se uns nos outros, para formarem uma corrente e tentar sair do buraco da lama; diferentemente da raça humana, na qual os de cima pisam nos de baixo, para que eles se enterrem mais ainda. 

Estamos num bumerangue; indo “da lama ao caos, do caos à lama”. 

Mas a esperança será sempre a última a morrer; enquanto houver caranguejos, enquanto não aterrarem o mangue e subirem mais edifícios de vinte e cinco andares, haverá sempre um Josué de Castro para descrever o berro dos que fazem os alicerces para arranha-céus. 

Há um vulcão adormecido sob o pré-sal da lama, querendo acordar. Já está se espreguiçando, está bocejando, e o bafo é forte, nem criolina mata as bactérias que irão se espalhar no entorno de sua redondeza. “Tadin” de nós se esse infeliz acordar.

Mas amanhã será outro dia, e “tudo pode acontecer; inclusive uma virada”.

Foto Paulo Carva
Teimosia
Maciel Melo

Não beba a palavra no cálice. 
Não se cale, deguste o verbo, não cuspa no ódio; ele pode vomitar em você. Não engula a ira dos tiranos. Não faça sopa de letrinhas com sangue: os coágulos podem  engasgar. Não silencie o medo; deixe o amor falar. A dor quer sangrar, mas é preciso estancar o verbo, que dá vazão à ira, à raiva, à barbárie, à desumanização e à unicidade que massacra o coletivo.
Não se cale. Fale, converse, não tergiverse. Deixe a vida escutar.
Se lhe amputarem a língua, faça mímica, mas não se cale.

"No Chile a ditadura de Pinochet mandou cortar as mãos de Victor Jara para que ele não mais cantasse suas músicas de protesto. Victor em pleno Estádio Nacional repleto de presos políticos, abraçou o violão e apenas com os punhos iniciou uma canção acompanhado de milhares de vozes que se juntaram a dele. 
É isso poeta ninguém cala a voz de um cantador se ele canta a liberdade e o amor. 
Contra o fascismo e um Brasil feliz"  Paulo Carvalho 

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Duetos

    Recife. Encontro dos Rios. Foto PC

    Soneto do Desmantelo Azul
                                          Carlos Pena Filho

    Então, pintei de azul os meus sapatos
    por não poder de azul pintar as ruas,
    depois, vesti meus gestos insensatos
    e colori, as minhas mãos e as tuas.


    Para extinguir em nós o azul ausente
    e aprisionar no azul as coisas gratas,
    enfim, nós derramamos simplesmente
    azul sobre os vestidos e as gravatas.


    E afogados em nós, nem nos lembramos
    que no excesso que havia em nosso espaço
    pudesse haver de azul  também cansaço.

    E perdidos de azul nos contemplamos
    e vimos que entre nós nascia um sul
    vertiginosamente azul. Azul.

                                                         

domingo, 19 de agosto de 2018

DO RABO DO TATU À ANTENA PARABÓLICA

Apito feito com rabo de tatu.
A primeira vez que ouvimos falar do apito feito com rabo de tatu foi em conversa com o índio Paulo Celso (Paulinho Pankararu) que, ainda muito jovem, se dizia preocupado com a preservação da cultura de sua gente.
Contava-nos ele que o referido apito era usado pela tribo, desde tempos imemoriais, para afugentar "Pragas da Roça" com absoluto sucesso. Sua preocupação prendia-se ao fato de que os seus irmãos da tribo estavam regressando à aldeia, após conclusão de cursos como os de técnicos agrícolas, e desprezavam o uso do apito como coisa de feitiçaria, recomendando em seu lugar o uso intensivo de agrotóxicos para o controle de pragas nas culturas agrícolas. Assim, ninguém mais se dava ao trabalho de caçar um tatu em época certa. Em seguida, cortar e secar o rabo do bicho e ainda, com arte e destreza, entalhar o apito, que deveria ser usado em cerimonial pelo Pajé, sempre à noite de sexta-feira com lua nova, apitando e fazendo orações nos quatro cantos da roça para obter o efeito desejado.

O tal apito era, sobretudo, eficiente contra as pragas de gafanhotos que frequentemente assolavam a região, funcionando como uma espécie de repelente sonoro para os insetos.
Pensando sobre tal fenômeno, sabemos que os ortópteros, grupo zoológico ao qual pertencem os gafanhotos, em geral, são muito sensíveis a determinadas frequências sonoras.
 Quem não já ouviu um "canto" de grilo ou esperança? No caso dos gafanhotos-pragas, estes possuem grande sensibilidade, à estímulos sonoros originários do ambiente e dos próprios gafanhotos. Considerações sobre os hábitos dos insetos feitas pelo Professor Argus Vasconcelos, biólogo e especialista na área.

 Assim, talvez seja explicado o mencionado sucesso em afugentar os gafanhotos das culturas, sob o estímulo sonoro provocado pelo apito.
Na minha última visita à terra dos Pankararus, não encontramos Paulinho, que agora é advogado e participa de uma entidade nacional  ligada a defesa dos índios e da sua cultura. 
Porém, tivemos contato com seu tio, o cacique João Biga, que nos falou, com imenso respeito, do apito de rabo de tatu. O velho cacique demonstrou seu pesar no desinteresse dos jovens, pelos costumes dos seus antepassados. Hoje, pouco se sabe da língua falada pelos Pankararus. Só algumas palavras soltas, muitas vezes sem significado, formam o pobre vocabulário dos mais velhos da tribo.
Perdeu-se a língua como elemento importante na organização cultural de um povo.
Dança do Toré
Preparação para oToré
Algumas solenidades como o Toré, Menino do Rancho e a Festa do Umbu, sobrevivem, porém, bastante descaracterizadas. Na verdade, teimam em sobreviver, subjugadas pela cultura alienígena que chega à aldeia através de possantes antenas parabólicas, como podem ser vistas hoje sobre humildes casebres de taipa da aldeia e em outras regiões.

Antena Parabólica 

Dos apitos para afugentar as pragas, só restavam dois, que se constituem hoje verdadeiras relíquias.
Algumas centenas de índios Pankararus ainda sobrevivem dos milhares da grande nação, que com certeza, a julgar pelo descaso do Governo, pela invasão constante das suas terras e pela exploração inescrupulosa aos seus recursos naturais, vão desaparecer com a sua rica cultura, juntamente com os tatus, pacas, veados, e arribaçãs. 
Mulher Pankararu e seu cachimbo. 
No final da conversa com o velho cacique dos Pankararus, notamos no seu olhar melancólico, que vagava entre o apito e a antena parabólica, na expressão do seu rosto o apelo desesperado para que, juntos, lutássemos pela preservação da cultura indígena, que é inegavelmente um patrimônio da humanidade.
João Biga
João Biga me presenteou com um dos apitos feito com o rabo de tatu, que guardo até hoje, num gesto significativo, pois sentiu que seríamos solidários com a sua luta.


Paulo Carvalho
Argus Vasconcelos de Almeida.
Fotos Paulo Carvalho

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Mário Carvalho


Mário Carvalho nasceu em 26 de setembro de 1911 na cidade de Bonito. Ainda na infância foi morar em Caruaru de onde aos dezesseis anos veio para o Recife “sentar praça na Brigada Militar” permanecendo até o final dos anos quarenta como Sargento Instrutor de Educação Física.

Autodidata assumiu a cadeira de Professor de Educação Física nos colégios: Ginásio Pernambucano, Ginásio da Madalena e da Encruzilhada, e Faculdade de Educação Física. Convidado, aceitou o cargo de fotógrafo no Departamento de Documentação e Cultura da Prefeitura do Recife, acumulando a tarefa de Chefe do Serviço de Salva Vidas nas praias Recifenses. Fotos deste período podem ser encontradas no acervo municipal. Várias destas fotos foram utilizadas por escritores e pesquisadores da nossa cultura como, por exemplo, a capa do livro 100 Anos de Frevo, fotos ilustrativas do livro Cine-Teatro do Parque: Um espetáculo à parte de Leda Dias e muitos outros. Algumas fotos são divulgadas com frequência pela internet, muitas sem o devido crédito.

Deixou comigo mais de quinhentos negativos em perfeita ordem e ótimo estado de  conservação, dos quais selecionei alguns e pretendo publicar em breve no formato de livro. Trata-se de um verdadeiro roteiro histórico e sentimental do Recife dos anos quarenta e cinquenta. Bastante conhecido na sociedade Pernambucana, excelente dançarino, conquistador emérito, não largava nunca a máquina fotográfica, instrumento de trabalho e álibi perfeito na aproximação com o sexo oposto.                                                                                                                                                                                 
Gostava e participava intensamente de todas as festas do ano, particularmente São João e Carnaval, onde encontrava munição farta para suas fotos. Colecionador de discos, outra herança, ouvia Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Altamiro Carrilho, Onilda Figueiredo, orquestras americanas como Glenn Miller, Tommy Dorsey, e muito jazz. Sempre tinha alguma coisa tocando dentro de casa, e sempre de qualidade.
 

A foto é de sua autoria quando eu tinha quatro anos, já colocando um disco para tocar, uma das primeiras coisas que me ensinou, mania que vem de longe, lá se vão setenta anos. Tenho a impressão que o disco, um 78 RPM, era Conceição, na interpretação de Cauby Peixoto, grande sucesso na época.
Vejam as fotos...


quinta-feira, 1 de março de 2018

A história de Lula Côrtes

Texto de ANTONIO ATEU

Luiz Augusto Martins Côrtes (09 de Maio de 1949 - Recife, 26 de março de2011), mais conhecido como Lula Côrtes foi um cantor, compositor, pintor e poeta brasileiro.

Foi um dos primeiros a fundir ritmos regionais nordestinos com o rock and roll, juntamente com Zé Ramalho e outros artistas.

Em dupla com Lailson, lançou no início de 1973 o álbum Satwa, o primeiro disco independente da música brasileira moderna, com a participação de músicos que depois ficariam consagrados, como Robertinho de Recife. O álbum chegou a ser relançado na década de 2000 nos Estados Unidos pela gravadora Time-Lag Records.[1]

Em 1975, lança o raro e cultuado álbum Paêbirú em dupla com Zé Ramalho.[2]Quase todas as cópias do álbum foram destruídas em uma inundação, tornando-o muito difícil de ser encontrado.[3] O álbum foi relançado em 2005 pela gravadora alemã Shadoks Music,[4] e em2008 na Inglaterra pelo selo Mr. Bongo (MRBCD050).[5]

Ainda em 1976 fez parte da banda de Alceu Valença.[6] Após isso, gravou alguns álbuns solo pela gravadoraRozenblit que nunca foram lançados. Entre eles está Rosa de Sangue, que em 2009 foi finalmente lançado pela gravadora estadunidense Time-Lag Records (Time-Lag 041).[7] Em 1980 finalmente teve um álbum solo lançado, chamado O Gosto Novo da Vida, pela gravadora Ariola.

Durante a década de 1980, a maioria de seus trabalhos foram produzidos com a banda Má Companhia.[6] Côrtes também não deixou de fazer algumas colaborações com Zé Ramalho em outros álbuns, incluindo o álbum de estreia do cantor de 1978, Zé Ramalho, o De Gosto de Água e de Amigos de 1985 e o Cidades e Lendas de 1996.

Também publicou livros de poesia.[8]

Na madrugada do dia 26 de março de 2011, Lula Côrtes faleceu aos 61 anos, vítima de um câncer na garganta, no Hospital Barão de Lucena em Recife

Nasceu em Recife, no dia 09 de maio de 1949.

Desde criança desenhava todas as paisagens que via. Aos 15 anos começou a pintar a óleo, passando a freqüentar um atelier coletivo no Braz em São Paulo. Passou então, nessa época, a elaborar uma pintura absolutamente surrealista e psicodélica que chamou de “ATÍPICOS”. Definindo como organismos de uma “natureza inexistente”. De tempos em tempos, voltava a abordar esse tema. A primeira coleção de “Atípicos”, foi também a sua primeira mostra, feita em Juiz de Fora, com o resultado surpreendente de ter vendido todas as peças. Mudou-se então para Juiz de Fora, pois lá o movimento pictórico era muito intenso. Começou a freqüentar a Galeria Celina, onde conheceu e conviveu com Carlos Bracher, um grande expoente da pintura mineira. A escola de pintura mineira o influenciou a retornar às paisagens. Sua segunda mostra foi no I Festival de Inverno de Ouro Preto, as paisagens tinham uma paleta bem surreal. Dessa época em diante passou a participar de todos os Festivais de Arte e Mostras Alternativas. Depois foi para o Rio de Janeiro, absolutamente engajado no movimento Beat Nick, morava e pintava nas praças e expunha nas ruas. Foi a São Paulo e expôs na Praça Carlos Gomes junto a outros integrantes do mesmo movimento, dessa feita, a pintura se mesclava em paisagens, organismos e colagens. Retornou para Pernambuco e nesse período, em meio a outras atividades, como escritor, cantor e compositor, Lula pintava paisagens de Itamaracá, lugar que freqüentava assiduamente. Disto resultou a terceira mostra, que aconteceu na Casa Holanda e teve continuidade. Outras 15 exposições aconteceram. Nesta mesma época, fazia a primeira série de desenhos dos “Signos do Zodíaco”, que foi editada em São Paulo por Poster’s Esdras, que por conta da “repressão”, teve um mandato de apreensão e busca em todo território nacional, por serem representados por formas sensuais. Participou de uma das bienais de São Paulo nos anos 80. Continuou seu trabalho com regularidade; pintando e desenhando com as mais variadas técnicas. Pintou painéis contendo paisagens do sertão, agreste, mangues e marinas. Dizia Lula: “O valor da paisagem pintada à óleo, ao meu ver, é que ali fica estampado não só o local, seus relevos, mas... é o mundo interior de cada pintor o que torna precioso cada quadro. A forma tão peculiar de cada homem ver e abordar o universo que habita. Com fidelidade, técnica, observação e emoção, unidos num só momento.” Seus desenhos e pinturas por vezes se fundiam, dando um resultado surpreendente. Assim se deu com as séries: “SIGNOS DO ZODÍACO” e “SEXO DAS PLANTAS”. O “Sexo das Plantas” foi, por assim dizer, um desenvolvimento dos “Atípicos”. Eis algumas de suas exposições mais representativas:

1969 – sua primeira exposição no Clube de Juiz de Fora em Minas Gerais – Coletiva com tema “ATÍPICOS”. 1994 - Exposição individual em São Paulo – Tema “Sonhos e Marinhas”. 1995 – “Expovisão” – Coletiva no Cabanga Iate Clube – Tema Paisagens Vistas do Cabanga. 1996 - Coletiva na Galeria Luannartes em Candeias – Temas variados. 1998 – Coletiva realizada pelo projeto Arte até Você. Sendo participante especial deste evento na Praça do Entroncamento – Temas variados. 1999 - Individual realizada no Centro de Convenções, através do projeto Arte até Você –– Tema “PAISAGENS PERNAMBUCANAS”, coleção composta por cento e duas telas à óleo e vários estudos. Alguns dos quadros da série foram levados para Portugal.

2000 - exposição individual realizada no MUPE Museu Pernambuco Integrado, com a retrospectiva de todo seu trabalho. –. Após esta exposição, passou a ser o curador do museu. 2001 – Exposição individual no MUPE Museu Pernambuco Integrado – Tema “PAISAGEM DOS CARNEIROS”. 2002-– Exposição individual no MUPE Museu Pernambuco Integrado – Tema “O IMAGINÁRIO DA PRAIA DOS CARNEIROS”. 2002 – Coletiva na Casa Cor Pernambuco no “Corredor de Arte” - Tema “COISAS QUE SE AMAM”, uma ramificação dos Atípicos. 2003 – Individual na OAB – Tema “AS FACES DA JUSTIÇA”. 2003 – Na Arte & Cia – exposição conjunta com a artista plástica Sônia Malta. 2004- Individual realizada na Sociedade Lula Côrtes - Tema “VULVARES”, uma ramificação dos Atípicos. Grande parte dessas telas foram adquiridas por colecionadores da arte brasileira. Entre eles personalidades como; Paulo Klein, que na época era curador da Galeria Renato Magalhães Gouveia e Anita Harlley Lundgren, que coleciona obras do artista desde os anos 70. 2007 – Exposição individual na Galeria Arte Plural – Tema “Sexo das Plantas”

1. Satwa
2. Can I be Satwa
3. Alegro piradíssimo
4. Lia, a rainha da noite
5. Apacidonata
6. Amigo
7. Atom
8. Blue do cachorro muito louco
9. Valsa dos cogumelos
10. Alegria do povo

http://www.mediafire.com/?db64r8a9170hrr7



Um vinil de 1975 (só existem 300) custa 4 mil reais em média

1. Trilha de Sumé (Culto à terra/ Bailado das muscarias)
2. Harpa dos ares
3. Não existe molhado igual ao pranto
4. Omm
5. Raga dos raios
6. Nas paredes de pedra encantada, os segredos talhados por Sumé
7. Marácas de fogo
8. Louvação a Iemanjá
9. Beira Mar
11. Pedra templo animal
12. Sumé

http://www.mediafire.com/?hpci1wowsa1puwi



1. Lua viva
2. Balada da calma
3. Casaco de pedras
4. Nordeste oriental
5. Bahjan, oração para Shiva
6. São tantas as trilhas
7. Noite prêta
8. Dos inimigos
9. A pisada é essa
10. Rosa de sangue

http://www.mediafire.com/?5tlyuju73z47egh

MITICO LP Rosa de Sangue (Rozemblit; não chegou ao mercado por conta de briga jurídica com a gravadora)

1. Desengano
2. Dos inimigos
3. Lua viva
4. São várias as trilhas
5. Patativa
6. Canção da chegada
7. Quadrilha atômica
8. Brilhos e mistérios
9. Gira a cabeça
10. O morcego

Disco mais pop que chegou a fazer sucesso, mas novamente por brigas com a antiga gravadora a divulgação foi prejudicada.

http://www.mediafire.com/?2yfezy63hx1i9rx



1. Balada para quem nunca morre
2. Orvalho na paisagem
3. Shotsy (Síntese do oriente e ocidente)
4. Valeu a pena
5. Forró pro mundo inteiro
6. Eu tentei
7. Maracatu pesado
8. Inverno I e II
9. Tema para Christina

Disco instrumental na linha do Satwa, Jarbas Mariz hoje toca na banda do Tom Zé e participou do Paiberu e do Rosa de Sangue.
Além disso o disco tem participações do lendário guitarrista Ivinho (Ave Sangria) nas musicas Maracatau Pesado e Inverno I e II, do baixista Paulo Ricardo em Eu Tentei e Oswaldinho do Acordeon em Forró pro Mundo Inteiro.

http://www.mediafire.com/?bvdiw8yg8wwn8l5

1. Reduzido à pó
2. A tirana
3. Meus caros amigos
4. As estradas
5. Nasci para chorar
6. Balada do tempo perdido
7. A força da canção
8. Rock do segurança (Gilberto Gil)
9. Os piratas
10. O homem e o mar

http://www.mediafire.com/?ffxs0vfnyfnacy7

Primeiro disco com a banda Má Companhia do guitarrista Xandinho numa linha mais Rock’n roll clássico e blues, mas ainda com suas letras surreais e poéticas e um pouco das influências orientais e nordestinas na utilização de  instrumentos como citara (tocada por Robertinho do Recife , que também produziu o disco) e Acordeon.

1. Eu fiz pior2. Versos perversos3. A seca4. Israel5. O balada cavernosa6. O clone7. O indiozinho8. Tá faltando ar9. Qualquer merda10. Pense e danceEm 2006, Lula Cortês e Má Companhia lançaram o disco ‘A Vida Não É Sopa’ gravado ao vivo na Estação do Som em 1997. O disco saiu pelo selo ‘Sopa Diário’.Na guitarra, o antigo guitarrista da banda, o lendário Claudio Munheca. Destaque para as faixas “Eu fiz pior” e “Tá faltando ar”.

http://www.mediafire.com/?llic124vp63839p
  
A Turma do Beco do Barato – Antologia 70 – 2004 

faixas:

01 as estradas [lula côrtes]
02 vacas roxas [lailson]
03 vento vem [israel semente]
canta: marco polo e humberto felipe
04 marginal [marco polo]
05 dois navegante [almir de oliveira]
06 o pirata [marco polo]
07 dos inimigos [lula côrtes]
08 anjos de bronze [lailson]
09 fora da paisagem [almir de oliveira]
10 janeiro em caruaru/noturno nº0/mina do mar [marco polo]

todas as músicas são interpretadas por seus autores, exceto a faixa 3

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Efeméride de uma prisão política

Em dias de turbulência, onde desmemoriados e mal informados, tentam negar as ações truculentas da ditadura militar instaurada em 1964, recebo este relato, uma crônica da realidade nos tempos sombrios quando a democracia deixou de existir e o arbítrio tomou conta do país.


Professor Argus Vasconcelos


Crônica escrita pelo Professor Argus Vasconcelos, amigo e companheiro de lutas em defesa da Universidade Pública, gratuita, laica e de qualidade.

Efeméride de minha prisão política

No dia 05 de janeiro de 1970, há 48 anos atrás, fui preso pela ditadura empresarial-militar, em Brasília, quando tínhamos acabado de receber o certificado de reservista e descíamos alegres, eu e meus cinco companheiros, para comemorar o evento.
Na porta do Ministério do Exército, havia uma viatura (das famosas “veraneios”) com três agentes da PF. Desceram do carro e um deles, o mais velho, me deu voz de prisão: - “Polícia Federal, está detido pela Lei de Segurança Nacional”. Meus companheiros perguntaram o que estava ocorrendo e os agentes, de armas na mãos, disseram para seguir em frente. O sentinela do ministério ainda chegou a armar sua metralhadora, pensando tratar-se de um assalto.
Quando embarquei naquela viatura, pensei comigo que havia chegado a minha hora. Estávamos vivendo o início do governo Médici, e a ditadura recrudescia a repressão aos movimentos de resistência.
Cheguei preso a uma delegacia da Asa Sul, que era uma espécie de depósito para classificação dos presos políticos. Ao chegarmos, um agente de plantão perguntou: De onde é esse? Ao que responderam: do ME (movimento estudantil). Depois fiquei sabendo que a classificação inicial era: do movimento estudantil, do movimento sindical operário, camponês ou “terrorista” (do movimento armado de resistência), que era da barra pesada e logo encaminhados para a tortura no famigerado Doi-Codi.
Fiquei numa cela com beliches e logo reparei que tinha companhia, que estava enrodilhado numa cama coberto até a cabeça. Quando eu entrei, ele acordou e o reconheci logo; tratava-se de Issahan Yuseff, um dirigente do grêmio estudantil do CIEM da UnB, onde havíamos estudado e militado juntos no ME. Ele colocou logo o dedo na boca para que não nos falássemos. Issa, como era conhecido, era de origem palestina. Muitos anos depois, vim a saber que tinha voltado à Palestina e se integrado ao movimento de resistência palestina e lá teria morrido em combate com as forças de ocupação israelense.
Na mesma noite começaram os interrogatórios. Acordavam-me de madrugada e  numa sala com uma forte luz nos olhos, um interrogador que eu não via a cara, fazia ao perguntas, enquanto um datilógrafo escrevia numa máquina as respostas. As perguntas eram quase sempre as mesmas sobre as organizações, nomes e atividades de militantes do movimento. Eu tratava de esconder a identidade dos companheiros alegando os “nomes de guerra” que usávamos no movimento. Um dos interrogadores, então disse que eu não estava “entregando”, mas quando fosse levado ao Doi-Codi, sob tortura, eu iria contar a história toda.
Durante as noites na prisão, era sabido que o pessoal do Doi-Codi, chegava para buscar os presos para o interrogatório até meia noite e ouvi várias vezes, altas vozes que diziam nomes e endereços para serem avisados e vi também o seu retorno, depois de alguns dias, sendo arrastados pelo corredor com os corpos feridos e deformados pela tortura.
A partir de então, esse era o meu grande temor, de não suportar a tortura e revelar nomes e atividades consideradas “subversivas”. Então, tentei mentalmente montar uma versão coerente para não entregar ninguém à repressão. Versão que repetia toda vez que era interrogado, o que causava muita irritação aos interrogadores.
Depois de alguns dias de prisão, meu pai conseguiu localizar o meu paradeiro, graças a um seu parente general do exército. Quando veio me visitar me contou toda a sua longa peregrinação para localizar-me.
A partir de então, comecei a desfrutar de duas horas de banho de sol usando uma vassoura para varrer o pátio. Recebia o almoço que meu pai enviava, que era bem melhor do que a insuportável boia da prisão. Acabaram-se os intermináveis interrogatórios e terminei não sendo levado para a tortura no Doi-Codi.
Depois de um mês de cadeia, meu pai veio para soltar-me, recebendo todas as exigências da parte dos agentes de soltura: “Não pode fazer isso, não pode fazer aquilo” etc.
Foi a primeira vez que percebi a cara feia da morte de frente e fiquei impressionado com a minha calma determinação em cair com dignidade. Depois, peguei minha trouxa, respirei fundo e entrei no carro, olhando a paisagem pelo vidro da janela, senti que a vida valia a pena, pois, fazia um belo dia de sol em Brasília.

                                                           Argus Vasconcelos de Almeida
                                                           Recife, 05 de janeiro de 2018.

Professor Titular do Departamento de Biologia da UFRPE, pesquisador em história e filosofia das Ciências Biológicas.


terça-feira, 17 de outubro de 2017

Josué de Castro


FOME
O nosso mais importante cientista, morreu no exílio impedido de retornar a sua terra pela ditadura de 64. Hoje estaria mais atual que nunca, já que retornamos ao mapa da fome, graças ao golpe recente, que colocou uma quadrilha no poder.
Sua Cidade seu Estado, seu País, parece querer esquecê-lo, como se a sua lembrança nos jogasse na cara toda a realidade da miséria e da humilhação causada pela fome, pela falta de moradia e condições dignas de sobrevivência.
No Recife, nenhum monumento, nenhuma grande obra, rua ou avenida leva o seu nome. Chico Science, seu discípulo já é nome de túnel e viaduto, sem nenhum demérito, porém, acho que nem o próprio Chico, se vivo fosse, concordaria em preceder o mestre neste tipo de homenagem.

Chico Science releu o cientista nos versos: “Um caranguejo andando pro sul/Saiu do mangue, virou gabiru/Ô Josué, eu nunca vi tamanha desgraça/Quanto mais miséria tem, mais urubu ameaça”. Science, chamou a atenção dos jovens sobre homem que ensinou tanta coisa ao mundo, que foi reconhecido e reverenciado em outros países, mas, morreu de saudade sem poder retornar a sua terra, exilado, banido pela ditadura militar que infelicitou a nação por mais de vinte anos.

Josué de Castro precisa ser homenageado, estudado, exaltado por tudo que representa para a nossa ciência.

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