quinta-feira, 23 de março de 2017

Notícias do Brasil



Mesmo andando há meses pelas estradas da vida, não deixo de receber notícias de pessoas queridas, velhos amigos e familiares. A internet é responsável nos dias de hoje pela continuidade destes contatos.

Fiquei sabendo através de Otrope, e com riqueza detalhes, que Comadre Fifa, está muito bem de saúde apesar dos seus quase 90 anos, lúcida, e sem dificuldade para colocar uma linha no fundo de uma agulha. Seu companheiro de longas datas, poucos meses mais velho que ela, com o qual vive há mais de 50 anos, o sábio Hiakassi, imigrante japonês, chegado ao Brasil na década de cinquenta, com quem se casou em segundas núpcias continua firme ao seu lado. Hiakassi trouxe de um primeiro casamento três filhos. Na hora de registrar os meninos mal falando o português, o escrivão anotou os nomes de acordo com o que lhe dizia o pai. Os gêmeos receberam respectivamente os nomes de Pindaíba e Pindoba, o filho mais novo, dois anos a menos que os gêmeos foram batizados como Pitota, ficando assim todos na letra P como era o deseja do pai.
Os velhos, portando, no dizer de Otrope, estão longe de desencarnar os ossos, e falam em reunir toda a família no ano que vem para comemorar em grande estilo, o aniversario da comadre.
Hiakassi
Otrope foi à contribuição de Comadre Fifa, mãe solteira, arrastava o menino na barra da saia quando conheceu Hiakassi, formando uma família interessante. Três meninos de olhos puxados e um com cara de bolacha e cabeça chata, este, muito sabido e astuto, viu na chegada do japonês, tido como homem trabalhador, sua chance de ter uma vida melhor.

Tomei conhecimento por intermédio de Otrope que Pindaíba se tornou um empresário de sucesso no ramo de confecções em Santa Cruz de Capibaribe, ficou rico na feira da sulanca, vendendo toneladas de cuecas para o sudeste do país. Ficou rico, mora numa mansão com piscina, e não despreza uma Hilux do ano, daquela com caçamba, que ajuda no transporte de mercadorias para pequenas distâncias.
Pindoba, que logo cedo, foi estudar no Recife, tendo sido morador da Casa de Estudante do Derby, exerce hoje a profissão de Cirurgião Dentista em Areias região do Brejo paraibano, onde também constituiu família. Casou com Odete que já lhe deu um casal de filhos. Ao menino deu o nome de Hiakassi Neto em homenagem ao padrasto que lhe proporcionou os estudos.

Quem não teve muita sorte foi Pitota, baixinho, franzino chegou a fazer algum sucesso como jóquei no Rio de Janeiro, até que levou um coice de uma égua, campeã carioca, e quase campeã sul americana, perdeu por cabeça, como no tango argentino. Depois do ocorrido não teve mais condições de montar e leva a vida como tratador de cavalos, no mesmo local onde brilhou montando animais famosos. Sonha com o dia de poder voltar às pistas e recuperar o tempo perdido, mas a cada dia perde as esperanças com o avançar da idade. As desventuras da vida fizeram com que se afastasse um pouco da família, envergonhado por não ter tido o mesmo destino que os irmãos mais velhos.

Eu quase que ia esquecendo de perguntar por Luluba, irmão mais novo de Comadre Fifa, cabra falante, despachado, contador de causos e poeta bissexto. Me disse Otrope que ele beirando os 80 anos, permanece morando no sítio da família, ainda enfrentando o cabo de uma enxada. Planta inhame e mandioca pra vender na feira Fazenda Nova. No início dos anos setenta, Luluba foi candidato a vereador em Taquaritinga do Norte. Perdeu a eleição e quase perde o sítio, mas teve que se desfazer de uma casa de quatro cômodos que possuía na rua principal da cidade, na leva também se foram uma meia dúzia de vacas leiteiras e todo rebanho de cabras só para pagar dívidas adquiridas na campanha para vereador.  Dizia que se chegasse a Deputado Federal e quem sabe, se Deus permitisse, a Presidente da República resolveria todos os problemas do Brasil numa tacada só. Mandaria fechar a Rede Globo! Pronto, nem a mulher votou nele pensando em perder a novela das oito e deixar de ver o galã Tarcísio Meira de quem era fã ardorosa. Deste dia em diante nunca mais Luluba quis saber de política.
Tarcísio Meira
Otrope meu velho, e você como vai, perguntei. Ele desconversou, não quis falar muito sobre o assunto, disse apenas que estava morando em Portugal e fazia uns bicos como motorista de UBER. Estamos em vias de marcar um encontro para tomar uma bagaceira com pastel de bacalhau como tira gosto. 
Depois eu conto...

quarta-feira, 8 de março de 2017

Cristiane Quintas

Cristiane Quintas
Cristiane Quintas. Dona de uma voz extraordinária, marcante, com muita personalidade, acaba de criar um canal no Youtube com a finalidade de mostrar seu trabalho como cantora e compositora. As gravações como se pode perceber são caseiras, embora feitas como muito carinho e sensibilidade. São músicas autorais, algumas com parcerias. O repertório é grande, e aos poucos serão adicionadas novas músicas. Por enquanto, o canal não tem fins lucrativos, o único objetivo é mostrar aos interessados em gravar, produzir, divulgar, ou simplesmente ouvir, tomar conhecimento deste trabalho.

Cris
Cristiane também é artista plástica, pinta divinamente e também escreve livros infantis atualmente com 26 títulos, com várias edições. Gravou com a mesma temática o CD Sertão Criança, ainda em catálogo,  com composições de Xico Bizerra e participações importantes como Geraldo Maia e Nena Queiroga.

Visitem: www.youtube.com/channel/UCWWdwsMPn6wLEThmknuaZzQ  

Este é o Canal de Cristiane no YouTube.
Curtam o trabalho de Cris Quintas, façam comentários, deixem opiniões e sugestões.







www.youtube.com/channel/UCWWdwsMPn6wLEThmknuaZzQ  

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Duetos - O Guardador de Rebanhos


Menino de rua cheirando cola

O Guardador de Rebanhos (Trecho escolhido)
(1911-1912)            Fernando Pessoa 

Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.
Tinha fugido do céu.

Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.

O seu pai era duas pessoas...
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!

Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol

E desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
A mim ensinou-me tudo.

Ensinou-me a olhar para as cousas.
Aponta-me todas as cousas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.
Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou –
«Se é que ele as criou, do que duvido» –
«Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória

Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres.»
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.
Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre,
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.

A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.
A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direcção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo um universo

E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.
Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos os muros caiados.
Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
Quando eu morrer filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.
Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?

Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.

domingo, 18 de dezembro de 2016

Paparazzi Por Um Dia

Todo mundo que gosta de fotografia, sonha com seu dia de paparazzi. Ou seja, fotografar alguém famoso(a) numa situação pouco convencional.
Certo dia, alguns anos atrás, estávamos em Girona, cidade catalã, acompanhados pelos nossos anfitriões, fomos passear pelo famoso Caminho de Ronda, na Costa Brava. Este caminho vai da Espanha até a França, margeando um mar de águas azuis, um lugar fascinante, muito bonito, refúgio da máfia italiana em tempos idos. Um verdadeiro paraíso, só para os ricos da Europa. 
Quem será
Câmera na mão, fotografando paisagens lindíssimas, quando de repente, a uma distância de mais ou menos quatrocentos metros, bem abaixo de nós, vejo um barco parado com algumas pessoas tomando banho de sol. Observando direito percebi que estavam sem roupas, coisa comum naquela região. Foi aí que resolvi fotografar, quem sabe, poderia ser uma artista, ou qualquer pessoa famosa, seria a minha oportunidade como paparazzi. 
A famosa quem?
Calmamente, coloquei uma tele objetiva de 400 mm, na máquina, sobre um tripé, e lasquei o dedo. Claro, a falta de experiência neste tipo de foto, a lente com baixa qualidade, não saiu bem como eu queria. Guardei a foto, na tentativa de reconhecer na modelo uma super star. Que nada. Nunca mostrei em nenhum site, hoje resolvi mostrar para vocês. Mostro uma outra foto do mar, esta já postada, para que vejam a beleza das águas deste mar azul.
Costa Brava


Críticas e sugestões para o e-mail voteespiaso@gmail.com




domingo, 20 de novembro de 2016

Do rabo do tatu à antena parabólica

    
Rabo de Tatu
 A primeira vez que ouvimos falar do apito feito com rabo de tatu foi em conversa com o índio Paulo Celso (Paulinho Pancararu) que, ainda muito moço, se dizia preocupado com a preservação da cultura de sua gente.
Contava-nos ele que o referido apito era usado pela tribo, desde tempos imemoriais, para afugentar "Pragas da Roça" com absoluto sucesso. Sua preocupação prendia-se ao fato de que os seus irmãos da tribo estavam regressando à aldeia, após conclusão de cursos como os de técnicos agrícolas, e desprezavam o uso do apito como coisa de feitiçaria, recomendando em seu lugar o uso intensivo de agrotóxicos para o controle de pragas nas culturas agrícolas. Assim, ninguém mais se dava ao trabalho de caçar um tatu em época certa. Em seguida, cortar e secar o rabo do bicho e ainda, com arte e destreza, entalhar o apito, que deveria ser usado em cerimonial pelo Pajé, sempre à noite de sexta-feira com lua nova, apitando e fazendo orações nos quatro cantos da roça para obter o efeito desejado.
O tal apito era, sobretudo, eficiente contra as pragas de gafanhotos que freqüentemente assolavam a região, funcionando como uma espécie de repelente sonoro para os insetos.
Pensando sobre tal fenômeno, sabemos que os ortópteros, grupo zoológico ao qual pertencem os gafanhotos, em geral, são muitos sensíveis a determinadas freqüências sonoras.

Índia Pancararu
Quem não já ouviu um "canto" de grilo ou esperança? No caso dos gafanhotos-pragas, estes possuem grande sensibilidade, à estímulos sonoros originários do ambiente e dos próprios gafanhotos. Assim, talvez seja explicado o mencionado sucesso em afugentar os gafanhotos das culturas, sob o estímulo sonoro provocado pelo apito.

Na minha última visita à terra dos Pancararus, não encontramos Paulinho, que agora é advogado e participa de uma entidade nacional  ligada a defesa dos índios e da sua cultura. 
Porém, tivemos contato com seu tio, o cacique João Biga, que nos falou, com imenso respeito, do apito de rabo de tatu. O velho cacique demonstrou seu pesar no desinteresse dos jovens, pelos costumes dos seus antepassados. Hoje, pouco se sabe da língua falada pelos Pancararus. Só algumas palavras soltas, muitas vezes sem significado, formam o pobre vocabulário dos mais velhos da tribo.
Perdeu-se a língua como elemento importante na organização cultural de um povo.

Algumas solenidades como o Toré, Menino do Rancho e a Festa do Umbu, sobrevivem bastante descaracterizadas. Na verdade, teimam em sobreviver, subjugadas pela cultura alienígena que chega à aldeia através de possantes antenas parabólicas, como podem ser vistas hoje sobre casebres de taipa da aldeia e em outras regiões.


Dos apitos para afugentar as pragas, só restam dois, que se constituem hoje verdadeiras relíquias.
Algumas centenas de índios Pancararus ainda sobrevivem, dos milhares da grande nação, que com certeza, a julgar pelo descaso do Governo, pela invasão constante das suas terras e pela exploração inescrupulosa aos seus recursos naturais, vão desaparecer com a sua rica cultura, juntamente com os tatus, pacas, veados, e arribaçãs, até que fiquemos totalmente sós.

No final da conversa com o velho cacique dos Pancararus, notamos no seu olhar melancólico, que vagava entre o apito e a antena parabólica, e na expressão do seu rosto o apelo desesperado para que, juntos, possamos lutar pela preservação da cultura indígena, que é inegavelmente um patrimônio da humanidade.

Dança do Toré

João Biga me presenteou com um dos apitos feito com o rabo de tatu, num gesto significativo,  pois sentiu que eu seria solidário com a sua luta.


Paulo Carvalho

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Duetos


Mãos Dadas (Foto Paulo Carvalho)

Mãos Dadas
Carlos Drummond de Andrade

Não serei o poeta de um mundo caduco
Também não cantarei o mundo futuro
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças
Entre eles, considero a enorme realidade
O presente é tão grande, não nos afastemos
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história
Não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida
Não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes
A vida presente

domingo, 18 de setembro de 2016

Poeta Zé Laurentino



Poeta Zé Laurentino (Foto Leonardo Silva)
O poeta Zé Laurentino nasceu em 1943 no Sítio das Antas município de Puxinanã PB.Teve grande destaque no mundo da cantoria influenciando várias gerações de poetas. Autor de vários livros, dentre eles podemos citar, Sertão, Humor e Poesia, Poemas, Prosas e Glosas, por sua produção literária era membro da Academia de Letras de Campina Grande onde residia há muitos anos. Gravou muita coisa em CD, representou o Brasil no Congresso sobre Latinidade em Santiago de Compostela na Espanha.

O poeta nos deixou no último dia 15 aos 73 anos.
Aqui prestamos uma homenagem. Zé Laurentino, recitando de sua autoria Matuto no Futebol, um dos seus maiores sucessos, sempre reprisado nas sua apresentações.

Gravação feita por Zelito Nunes, nos dias em que se realizava no Recife o Segundo Congresso de Cantadores  durante o governo de Miguel Arraes. O primeiro era de 1948 no mesmo Teatro Santa Isabel. Na gravação podemos ver ao lado do poeta a repentista Mocinha de Passira.

Zé Laurentino declama Matuto no Futebol

Comentários pelo e-mail voteespiaso@gmail.com

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