quinta-feira, 1 de março de 2018

A história de Lula Côrtes

Texto de ANTONIO ATEU

Luiz Augusto Martins Côrtes (09 de Maio de 1949 - Recife, 26 de março de2011), mais conhecido como Lula Côrtes foi um cantor, compositor, pintor e poeta brasileiro.

Foi um dos primeiros a fundir ritmos regionais nordestinos com o rock and roll, juntamente com Zé Ramalho e outros artistas.

Em dupla com Lailson, lançou no início de 1973 o álbum Satwa, o primeiro disco independente da música brasileira moderna, com a participação de músicos que depois ficariam consagrados, como Robertinho de Recife. O álbum chegou a ser relançado na década de 2000 nos Estados Unidos pela gravadora Time-Lag Records.[1]

Em 1975, lança o raro e cultuado álbum Paêbirú em dupla com Zé Ramalho.[2]Quase todas as cópias do álbum foram destruídas em uma inundação, tornando-o muito difícil de ser encontrado.[3] O álbum foi relançado em 2005 pela gravadora alemã Shadoks Music,[4] e em2008 na Inglaterra pelo selo Mr. Bongo (MRBCD050).[5]

Ainda em 1976 fez parte da banda de Alceu Valença.[6] Após isso, gravou alguns álbuns solo pela gravadoraRozenblit que nunca foram lançados. Entre eles está Rosa de Sangue, que em 2009 foi finalmente lançado pela gravadora estadunidense Time-Lag Records (Time-Lag 041).[7] Em 1980 finalmente teve um álbum solo lançado, chamado O Gosto Novo da Vida, pela gravadora Ariola.

Durante a década de 1980, a maioria de seus trabalhos foram produzidos com a banda Má Companhia.[6] Côrtes também não deixou de fazer algumas colaborações com Zé Ramalho em outros álbuns, incluindo o álbum de estreia do cantor de 1978, Zé Ramalho, o De Gosto de Água e de Amigos de 1985 e o Cidades e Lendas de 1996.

Também publicou livros de poesia.[8]

Na madrugada do dia 26 de março de 2011, Lula Côrtes faleceu aos 61 anos, vítima de um câncer na garganta, no Hospital Barão de Lucena em Recife

Nasceu em Recife, no dia 09 de maio de 1949.

Desde criança desenhava todas as paisagens que via. Aos 15 anos começou a pintar a óleo, passando a freqüentar um atelier coletivo no Braz em São Paulo. Passou então, nessa época, a elaborar uma pintura absolutamente surrealista e psicodélica que chamou de “ATÍPICOS”. Definindo como organismos de uma “natureza inexistente”. De tempos em tempos, voltava a abordar esse tema. A primeira coleção de “Atípicos”, foi também a sua primeira mostra, feita em Juiz de Fora, com o resultado surpreendente de ter vendido todas as peças. Mudou-se então para Juiz de Fora, pois lá o movimento pictórico era muito intenso. Começou a freqüentar a Galeria Celina, onde conheceu e conviveu com Carlos Bracher, um grande expoente da pintura mineira. A escola de pintura mineira o influenciou a retornar às paisagens. Sua segunda mostra foi no I Festival de Inverno de Ouro Preto, as paisagens tinham uma paleta bem surreal. Dessa época em diante passou a participar de todos os Festivais de Arte e Mostras Alternativas. Depois foi para o Rio de Janeiro, absolutamente engajado no movimento Beat Nick, morava e pintava nas praças e expunha nas ruas. Foi a São Paulo e expôs na Praça Carlos Gomes junto a outros integrantes do mesmo movimento, dessa feita, a pintura se mesclava em paisagens, organismos e colagens. Retornou para Pernambuco e nesse período, em meio a outras atividades, como escritor, cantor e compositor, Lula pintava paisagens de Itamaracá, lugar que freqüentava assiduamente. Disto resultou a terceira mostra, que aconteceu na Casa Holanda e teve continuidade. Outras 15 exposições aconteceram. Nesta mesma época, fazia a primeira série de desenhos dos “Signos do Zodíaco”, que foi editada em São Paulo por Poster’s Esdras, que por conta da “repressão”, teve um mandato de apreensão e busca em todo território nacional, por serem representados por formas sensuais. Participou de uma das bienais de São Paulo nos anos 80. Continuou seu trabalho com regularidade; pintando e desenhando com as mais variadas técnicas. Pintou painéis contendo paisagens do sertão, agreste, mangues e marinas. Dizia Lula: “O valor da paisagem pintada à óleo, ao meu ver, é que ali fica estampado não só o local, seus relevos, mas... é o mundo interior de cada pintor o que torna precioso cada quadro. A forma tão peculiar de cada homem ver e abordar o universo que habita. Com fidelidade, técnica, observação e emoção, unidos num só momento.” Seus desenhos e pinturas por vezes se fundiam, dando um resultado surpreendente. Assim se deu com as séries: “SIGNOS DO ZODÍACO” e “SEXO DAS PLANTAS”. O “Sexo das Plantas” foi, por assim dizer, um desenvolvimento dos “Atípicos”. Eis algumas de suas exposições mais representativas:

1969 – sua primeira exposição no Clube de Juiz de Fora em Minas Gerais – Coletiva com tema “ATÍPICOS”. 1994 - Exposição individual em São Paulo – Tema “Sonhos e Marinhas”. 1995 – “Expovisão” – Coletiva no Cabanga Iate Clube – Tema Paisagens Vistas do Cabanga. 1996 - Coletiva na Galeria Luannartes em Candeias – Temas variados. 1998 – Coletiva realizada pelo projeto Arte até Você. Sendo participante especial deste evento na Praça do Entroncamento – Temas variados. 1999 - Individual realizada no Centro de Convenções, através do projeto Arte até Você –– Tema “PAISAGENS PERNAMBUCANAS”, coleção composta por cento e duas telas à óleo e vários estudos. Alguns dos quadros da série foram levados para Portugal.

2000 - exposição individual realizada no MUPE Museu Pernambuco Integrado, com a retrospectiva de todo seu trabalho. –. Após esta exposição, passou a ser o curador do museu. 2001 – Exposição individual no MUPE Museu Pernambuco Integrado – Tema “PAISAGEM DOS CARNEIROS”. 2002-– Exposição individual no MUPE Museu Pernambuco Integrado – Tema “O IMAGINÁRIO DA PRAIA DOS CARNEIROS”. 2002 – Coletiva na Casa Cor Pernambuco no “Corredor de Arte” - Tema “COISAS QUE SE AMAM”, uma ramificação dos Atípicos. 2003 – Individual na OAB – Tema “AS FACES DA JUSTIÇA”. 2003 – Na Arte & Cia – exposição conjunta com a artista plástica Sônia Malta. 2004- Individual realizada na Sociedade Lula Côrtes - Tema “VULVARES”, uma ramificação dos Atípicos. Grande parte dessas telas foram adquiridas por colecionadores da arte brasileira. Entre eles personalidades como; Paulo Klein, que na época era curador da Galeria Renato Magalhães Gouveia e Anita Harlley Lundgren, que coleciona obras do artista desde os anos 70. 2007 – Exposição individual na Galeria Arte Plural – Tema “Sexo das Plantas”

1. Satwa
2. Can I be Satwa
3. Alegro piradíssimo
4. Lia, a rainha da noite
5. Apacidonata
6. Amigo
7. Atom
8. Blue do cachorro muito louco
9. Valsa dos cogumelos
10. Alegria do povo

http://www.mediafire.com/?db64r8a9170hrr7



Um vinil de 1975 (só existem 300) custa 4 mil reais em média

1. Trilha de Sumé (Culto à terra/ Bailado das muscarias)
2. Harpa dos ares
3. Não existe molhado igual ao pranto
4. Omm
5. Raga dos raios
6. Nas paredes de pedra encantada, os segredos talhados por Sumé
7. Marácas de fogo
8. Louvação a Iemanjá
9. Beira Mar
11. Pedra templo animal
12. Sumé

http://www.mediafire.com/?hpci1wowsa1puwi



1. Lua viva
2. Balada da calma
3. Casaco de pedras
4. Nordeste oriental
5. Bahjan, oração para Shiva
6. São tantas as trilhas
7. Noite prêta
8. Dos inimigos
9. A pisada é essa
10. Rosa de sangue

http://www.mediafire.com/?5tlyuju73z47egh

MITICO LP Rosa de Sangue (Rozemblit; não chegou ao mercado por conta de briga jurídica com a gravadora)

1. Desengano
2. Dos inimigos
3. Lua viva
4. São várias as trilhas
5. Patativa
6. Canção da chegada
7. Quadrilha atômica
8. Brilhos e mistérios
9. Gira a cabeça
10. O morcego

Disco mais pop que chegou a fazer sucesso, mas novamente por brigas com a antiga gravadora a divulgação foi prejudicada.

http://www.mediafire.com/?2yfezy63hx1i9rx



1. Balada para quem nunca morre
2. Orvalho na paisagem
3. Shotsy (Síntese do oriente e ocidente)
4. Valeu a pena
5. Forró pro mundo inteiro
6. Eu tentei
7. Maracatu pesado
8. Inverno I e II
9. Tema para Christina

Disco instrumental na linha do Satwa, Jarbas Mariz hoje toca na banda do Tom Zé e participou do Paiberu e do Rosa de Sangue.
Além disso o disco tem participações do lendário guitarrista Ivinho (Ave Sangria) nas musicas Maracatau Pesado e Inverno I e II, do baixista Paulo Ricardo em Eu Tentei e Oswaldinho do Acordeon em Forró pro Mundo Inteiro.

http://www.mediafire.com/?bvdiw8yg8wwn8l5

1. Reduzido à pó
2. A tirana
3. Meus caros amigos
4. As estradas
5. Nasci para chorar
6. Balada do tempo perdido
7. A força da canção
8. Rock do segurança (Gilberto Gil)
9. Os piratas
10. O homem e o mar

http://www.mediafire.com/?ffxs0vfnyfnacy7

Primeiro disco com a banda Má Companhia do guitarrista Xandinho numa linha mais Rock’n roll clássico e blues, mas ainda com suas letras surreais e poéticas e um pouco das influências orientais e nordestinas na utilização de  instrumentos como citara (tocada por Robertinho do Recife , que também produziu o disco) e Acordeon.

1. Eu fiz pior2. Versos perversos3. A seca4. Israel5. O balada cavernosa6. O clone7. O indiozinho8. Tá faltando ar9. Qualquer merda10. Pense e danceEm 2006, Lula Cortês e Má Companhia lançaram o disco ‘A Vida Não É Sopa’ gravado ao vivo na Estação do Som em 1997. O disco saiu pelo selo ‘Sopa Diário’.Na guitarra, o antigo guitarrista da banda, o lendário Claudio Munheca. Destaque para as faixas “Eu fiz pior” e “Tá faltando ar”.

http://www.mediafire.com/?llic124vp63839p
  
A Turma do Beco do Barato – Antologia 70 – 2004 

faixas:

01 as estradas [lula côrtes]
02 vacas roxas [lailson]
03 vento vem [israel semente]
canta: marco polo e humberto felipe
04 marginal [marco polo]
05 dois navegante [almir de oliveira]
06 o pirata [marco polo]
07 dos inimigos [lula côrtes]
08 anjos de bronze [lailson]
09 fora da paisagem [almir de oliveira]
10 janeiro em caruaru/noturno nº0/mina do mar [marco polo]

todas as músicas são interpretadas por seus autores, exceto a faixa 3

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Efeméride de uma prisão política

Em dias de turbulência, onde desmemoriados e mal informados, tentam negar as ações truculentas da ditadura militar instaurada em 1964, recebo este relato, uma crônica da realidade nos tempos sombrios quando a democracia deixou de existir e o arbítrio tomou conta do país.


Professor Argus Vasconcelos


Crônica escrita pelo Professor Argus Vasconcelos, amigo e companheiro de lutas em defesa da Universidade Pública, gratuita, laica e de qualidade.

Efeméride de minha prisão política

No dia 05 de janeiro de 1970, há 48 anos atrás, fui preso pela ditadura empresarial-militar, em Brasília, quando tínhamos acabado de receber o certificado de reservista e descíamos alegres, eu e meus cinco companheiros, para comemorar o evento.
Na porta do Ministério do Exército, havia uma viatura (das famosas “veraneios”) com três agentes da PF. Desceram do carro e um deles, o mais velho, me deu voz de prisão: - “Polícia Federal, está detido pela Lei de Segurança Nacional”. Meus companheiros perguntaram o que estava ocorrendo e os agentes, de armas na mãos, disseram para seguir em frente. O sentinela do ministério ainda chegou a armar sua metralhadora, pensando tratar-se de um assalto.
Quando embarquei naquela viatura, pensei comigo que havia chegado a minha hora. Estávamos vivendo o início do governo Médici, e a ditadura recrudescia a repressão aos movimentos de resistência.
Cheguei preso a uma delegacia da Asa Sul, que era uma espécie de depósito para classificação dos presos políticos. Ao chegarmos, um agente de plantão perguntou: De onde é esse? Ao que responderam: do ME (movimento estudantil). Depois fiquei sabendo que a classificação inicial era: do movimento estudantil, do movimento sindical operário, camponês ou “terrorista” (do movimento armado de resistência), que era da barra pesada e logo encaminhados para a tortura no famigerado Doi-Codi.
Fiquei numa cela com beliches e logo reparei que tinha companhia, que estava enrodilhado numa cama coberto até a cabeça. Quando eu entrei, ele acordou e o reconheci logo; tratava-se de Issahan Yuseff, um dirigente do grêmio estudantil do CIEM da UnB, onde havíamos estudado e militado juntos no ME. Ele colocou logo o dedo na boca para que não nos falássemos. Issa, como era conhecido, era de origem palestina. Muitos anos depois, vim a saber que tinha voltado à Palestina e se integrado ao movimento de resistência palestina e lá teria morrido em combate com as forças de ocupação israelense.
Na mesma noite começaram os interrogatórios. Acordavam-me de madrugada e  numa sala com uma forte luz nos olhos, um interrogador que eu não via a cara, fazia ao perguntas, enquanto um datilógrafo escrevia numa máquina as respostas. As perguntas eram quase sempre as mesmas sobre as organizações, nomes e atividades de militantes do movimento. Eu tratava de esconder a identidade dos companheiros alegando os “nomes de guerra” que usávamos no movimento. Um dos interrogadores, então disse que eu não estava “entregando”, mas quando fosse levado ao Doi-Codi, sob tortura, eu iria contar a história toda.
Durante as noites na prisão, era sabido que o pessoal do Doi-Codi, chegava para buscar os presos para o interrogatório até meia noite e ouvi várias vezes, altas vozes que diziam nomes e endereços para serem avisados e vi também o seu retorno, depois de alguns dias, sendo arrastados pelo corredor com os corpos feridos e deformados pela tortura.
A partir de então, esse era o meu grande temor, de não suportar a tortura e revelar nomes e atividades consideradas “subversivas”. Então, tentei mentalmente montar uma versão coerente para não entregar ninguém à repressão. Versão que repetia toda vez que era interrogado, o que causava muita irritação aos interrogadores.
Depois de alguns dias de prisão, meu pai conseguiu localizar o meu paradeiro, graças a um seu parente general do exército. Quando veio me visitar me contou toda a sua longa peregrinação para localizar-me.
A partir de então, comecei a desfrutar de duas horas de banho de sol usando uma vassoura para varrer o pátio. Recebia o almoço que meu pai enviava, que era bem melhor do que a insuportável boia da prisão. Acabaram-se os intermináveis interrogatórios e terminei não sendo levado para a tortura no Doi-Codi.
Depois de um mês de cadeia, meu pai veio para soltar-me, recebendo todas as exigências da parte dos agentes de soltura: “Não pode fazer isso, não pode fazer aquilo” etc.
Foi a primeira vez que percebi a cara feia da morte de frente e fiquei impressionado com a minha calma determinação em cair com dignidade. Depois, peguei minha trouxa, respirei fundo e entrei no carro, olhando a paisagem pelo vidro da janela, senti que a vida valia a pena, pois, fazia um belo dia de sol em Brasília.

                                                           Argus Vasconcelos de Almeida
                                                           Recife, 05 de janeiro de 2018.

Professor Titular do Departamento de Biologia da UFRPE, pesquisador em história e filosofia das Ciências Biológicas.


terça-feira, 17 de outubro de 2017

Josué de Castro


FOME
O nosso mais importante cientista, morreu no exílio impedido de retornar a sua terra pela ditadura de 64. Hoje estaria mais atual que nunca, já que retornamos ao mapa da fome, graças ao golpe recente, que colocou uma quadrilha no poder.
Sua Cidade seu Estado, seu País, parece querer esquecê-lo, como se a sua lembrança nos jogasse na cara toda a realidade da miséria e da humilhação causada pela fome, pela falta de moradia e condições dignas de sobrevivência.
No Recife, nenhum monumento, nenhuma grande obra, rua ou avenida leva o seu nome. Chico Science, seu discípulo já é nome de túnel e viaduto, sem nenhum demérito, porém, acho que nem o próprio Chico, se vivo fosse, concordaria em preceder o mestre neste tipo de homenagem.

Chico Science releu o cientista nos versos: “Um caranguejo andando pro sul/Saiu do mangue, virou gabiru/Ô Josué, eu nunca vi tamanha desgraça/Quanto mais miséria tem, mais urubu ameaça”. Science, chamou a atenção dos jovens sobre homem que ensinou tanta coisa ao mundo, que foi reconhecido e reverenciado em outros países, mas, morreu de saudade sem poder retornar a sua terra, exilado, banido pela ditadura militar que infelicitou a nação por mais de vinte anos.

Josué de Castro precisa ser homenageado, estudado, exaltado por tudo que representa para a nossa ciência.

domingo, 15 de outubro de 2017

Um passeio iconográfico pelo Quebéc

Foto de arquivo
É a maior província do país, com 7,6 milhões de habitantes, a segunda populosa província canadense. A maior é Montreal e a capital é a Cidade de Quebec, segunda maior cidade da província.
Quebec possui vastos recursos naturais, sendo o maior produtor de energia elétrica do Canadá. A província produz cerca de 26% dos produtos industriais e agropecuários do Canadá. Os principais produtos são alimentos, madeira e derivados, aviões, químicos e roupas.
A língua mais falada em Quebec é o francês. Cerca de 80% da população do Quebec praticam o idioma como primeira língua. Já o inglês é usado por cerca de 8% da população, em grande parte na cidade de Montreal. 
Cerca de 90% da população da província é composta por brancos, imigrantes e descendentes de franceses, ingleses, irlandeses, escoceses, judeus, alemães e italianos. Há ainda uma forte presença de asiáticos e afro-descendentes.

 A cidade localiza-se na Ilha de Montreal, no Rio São Lourenço, incorporando um total de 74 ilhas menores localizadas perto da Ilha de Montreal. Localiza-se a 75 km a leste da província canadense de Ontário, a 150 km a leste da capital do país, Ottawa e a aproximadamente 250 km a sudoeste da capital da província, a cidade de Quebec. As coordenadas geográficas de Montreal são 45°28′Norte e 73°45′Oeste; a altitudemédia da cidade é de de 57 m, sendo de 23 m nas margens do São Lourenço, e de 233 m no ponto mais alto do Monte Royal.
A Ilha de Montreal possui 50 km de comprimento por 16 km de largura, na sua máxima extensão, e uma área de 482,84 km². Por estar numa posição diagonal, os habitantes da cidade possuem um jeito atípico de descrever direções na cidade: o norte da cidade corresponde na verdade à direção nordeste na bússola magnética; o sul da cidade, ao sudoeste magnético, o leste da cidade, ao sudeste magnético, e o oeste da cidade, ao noroeste magnético.


Montreal é o centro de uma região metropolitanaque se estende por um raio de aproximadamente 40 km da cidade. A metrópole de Montreal é a segunda mais populosa do Canadá, e a décima mais populosa da América do Norte.
A Metrópole Comunitária de Montreal (Communauté Métropolitaine de Montréal) é o órgão público encarregado do planejamento, coordenação e financiamento de desenvolvimento econômico, transporte público, coleta de resíduos, etc, nesta região metropolitana, que compreende 3 839 km² e possui 3 431 551 habitantes. O presidente da Metrópole Comunitária de Montreal é o prefeito da cidade de Montreal.

clima de Montreal varia bastante, devido à localização da cidade numa área onde grandes frentes de ar, uma vindo do pólo norte, e outra, dos Estados Unidos, costumam encontrar-se. A instabilidade do tempo é considerada pelos habitantes de Montreal como parte do caráter da cidade.
precipitação é abundante na região. Aproximadamente 2,4 metros de neve caem anualmente na cidade, e a chuva é abundante ao longo do ano, principalmente no verão, a estação mais úmida da cidade. A remoção de neve das principais ruas e vias expressas da cidade custa a Montreal mais de 50 milhões de dólares canadenses por ano.
O clima de Montreal é temperado, com quatro estações bem definidas e variadas. No inverno, a temperatura média da cidade é de -10,4 °C (não incluindo o fator do vento), com mínimas entre -40 °C a -10 °C e máximas entre 0 °C e 25 °C. No verão, a média é de 21 °C, com máximas entre 23 °C a 35 °C.
 A cidade de Montreal, como em outras grandes cidades canadenses, é uma cidade multicultural, ou seja, possui uma grande variedade de etnias e culturas diferentes. Juntamente com os descendentes de franceses e ingleses, coexistem comunidades irlandesasitalianasjudaicasgregasárabeshispânicashaitianas e portuguesas.


                 Um pequeno resumo de imagens.

                 Jardim Botânico de Montreal


segunda-feira, 21 de agosto de 2017

As Primeiras Letras do Hino Nacional

Ovídio Saraiva e as primeiras letras do Hino Nacional
Diderot Mavignier

Foto do site www.luizasawya.com

Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva nasceu na vila de São João da Parnahiba, na capitania de São José do Piauhy, no distante ano de 1787. Faleceu na vila de Piraí, no Rio de Janeiro, aonde foi sepultado, no dia 11 de janeiro de 1852. Em 1853, foi inventariante seu filho Olímpio Herculano Saraiva de Carvalho, documento sob a guarda do Arquivo Público de Piraí.
Ovídio Saraiva nasceu no seio de família abastada do litoral piauhyiense. Nesta época, a educação escolar era praticamente inexistente na capitania, epara as famílias de poder econômico, restava a difícil tarefa de enviar seus filhos aos maiores centros. Foi assim, que o menino Ovídio, com apenas seis anos de idade,em 1793, foi embarcado, no Porto das Barcas, o atracadouro parnahibano, com destino a Portugal. Coimbra era um dos centros acadêmicos preferidos, e para lá se dirigiu o pequeno braziliense, em busca do diploma de Leis, cidade que ele afirmava ser a penedo da saudade. Em Poemas, em seu soneto LXII, faz referência ao penoso exílio:
Passaram lustres três, e mais três anos
Que à Estancia dos mortais volvi do nada
Mas bem que inda não seja adiantada
Minha idade, sofrido hei já mil danos

Além dos torvos mares desumanos
Recebi dos meus Pais a vida ervada
E contando anos seis, à Pátria amada
Arrancaram-me os Pais com vis enganos

Então, em 1805, Ovídio estava matriculado no curso de Leis da Universidade de Coimbra. Para o seu reitor, Manoel Paes de Aragão Trigoso, Conego Arcediago da Sé de Viseu, dedicou o seu primeiro livro – Poemas, escrito em 1808, quando era aluno do 4º ano. O livro é o início da trajetória literária do Piauí, sendo o marco histórico impresso na Tipografia da Universidade, sob licença da Mesa do Desembargo do Paço, a quem competia a censura dos livros a serem publicados no reino português. No livro, as influências do poeta Bocage se fazem evidentes, predominando o neoclassicismo.
Folha de rosto do livro Poemas.

Atuante além das fronteiras da universidade, Ovídio participou do Corpo Acadêmico, nas lutas pela liberdade de Portugal, sob jugo das forças francesas. Em 1809, publicou Narração das marchas feitas pelo corpo militar acadêmico desde 21 de março, em que saiu de Coimbra, até 12 de maio, sua entrada no Porto, Escripta no palácio de Santa Cruz, em 3 de outubro de 1809, para Manuel Paes de Aragão Trigoso, lentes, deputados e mais pessoas do claustro pleno da universidade de Coimbra.O Corpo Acadêmico tinha como tenente coronel José Bonifácio de Andrada e Silva, a quem Ovídio chama de varão d’huma valentia sem termos. Na narração, ressalta:Eis aqui, ó Nação Portuguesa, o brilhante corpo, que te lustra e esmalta, e que com os livros na esquerda, e, na direita a espada, corre a desafrontar do gravame de ferro a triste pátria consternada. Considerava Napoleão,como o apóstata da sociedade humana. Também com o mesmo tema da invasão francesa, publicouOs Sucessos da Restauração do Porto.
Ovídio compôs epitáfios que enviou à Junta de Montepio Literário. Para o mausoléu de Camões escreveu:
Eis o mais rico mausoléu do mundo:
Camoes o endeusa, o máximo dos vates.
Numen do genio, se da sorte o martyr,
Ind'éñas cinzas o que foi na vida,
Grande, guerreiro, illustre, humano e tudo,
Sonao é infeliz, que é sempre a campa
Leito de flores aos héroes como elle.
Patriadá-lbe boje o que negou-lhe a patria,
Construe-lhe altares, considera-o numen;
Justiceiro porvir Ihe vote o incensó.
Lusiadas, e nome, e gloria e cinzas.
Ignobil mausoléu! tenueofferenda!
Todo o mundo devera ser seu túmulo.
Emquanto vivo, a espada e a penna honraste,
Depois de morto, a espada e a penna t'honram.
Emquantovivo, a patria desdenhou-te;
Depois de morlo, t'idolâtra a patria.
Аo nome leu a iradiçâoIribiila
Na memoria (losliomens monumento).
Emquanto a gratidao te offerla as cirilas
Este arrogante, sepulchral portento. 
Na esquerda a espada e na direita a penna, Poste, Camoes, assomhros dois no mundo; Co'aquella a honra sustentaste a Lysia, Co'csta a gloria de Lysia lias dado aos evos. Aquí as cinzas, pelo mundo a fama.
Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva.

Em 1810, Ovídio Saraiva, com vinte e quatro anos de idade segundo o seu requerimento ao príncipe regente dom João, solicitando passaporte para ir ao Maranhão, e de lá passar ao Piauhy, levando consigo a sua esposa, Umbelina Joana Almadanino. Em 1812, foi nomeado juiz-de-fora da vila de Mariana, em Minas Gerais, ano em que publicou no Rio de Janeiro, O Pranto Americano que a S.A.R., o Príncipe Regente N.S. em Honra das Caríssimas, e nunca bem pranteadas Cinzas do Sereníssimo Senhor Infante D. Pedro Carlos de Bourbon, Almirante General junto á Real Pessoa, e, O Patriotismo Acadêmico, este dedicado a dom João de Almeida de Melo e Castro, 5º Conde de Galveas.
Ovídio passou-se para a vila de Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis, em Santa Catarina, onde exerceu o cargo de 2º juiz-de-fora, do crime, civil e órfãos, provedor dos defuntos, ausentes, capelas e resíduos, entre os anos de 1816 e 1819. Exerceu também o cargo de desembargador da Relação da província da Cisplatina. Na vila do Desterro, em 1817, o doutor Ovídio foi o precursor do teatro catarinense, quando promovia peças, nos salões de sua residência. Para essa atividade, escreveu a peça A Tragédia de Fayal, festejando a coroação de dom João VI.Lá, também promoveu os primeiros concursos literários catarinenses, onde inscrevia as suas poesias. Quando da restauração de Pernambuco depois da Revolução de 1817, Ovídio abriu o seu teatro particular e com plateia distinta, fez elogio sublime composto por ele mesmo, vestido de grande gala; em seguida foi apresentada a tragédia de Ignez de Castro. A vila iluminou-se por três noites, cantou-se Te Deum em ação de graças na presença da Câmara, tudo presidido pelo magistrado piauiense.
Eleito deputado provincial para representar oPiauhy nas Cortes de Lisboa, declinou do cargo, visto saber dos rumos políticos que tomava o Brasil, no Rio de Janeiro, caminhando para a sua Independência. Foi substituído pelo suplente o padre Domingos da Conceição, pároco da vila da Parnahiba. Em 1821, no Rio de Janeiro, fundou o periódico O Amigo do Rei e da Naçãopublicado de março a junho de 1821. Impresso na Tipografia Real tinha linha editorial conservadora, afirmava ser protegido por Dom Pedro, defendia a continuidade do Reino Unido e a permanência de Dom João VI no Brasil.
Ovídio como membro do Apostolado da Ordem da Santa Cruz, uma maçonaria carbonária, onde estavam também dom Pedro e José Bonifácio, lutou pela Independência do Brasil. Na Confederação do Equador, defendeu irmãos que foram indiciados como partidários do movimento, em Pernambuco. Ao ver o seu amigo João Guilherme Ratcliff condenado ao fuzilamento no Rio de Janeiro, pediu auxílio à marquesa de Santos, para que implorasse a compaixão de dom Pedro I. Domitila batendo à porta do Imperador, este só lhe atendeu quando ouviu os estampidos dos tiros que sacrificaram seu irmão. No Recife, com os mesmos ideais republicanos da Confederação do Equador, foi fuzilado o frei Caneca.
Entre 1826 a 1840, publicou: Às Saudozas cinzas do Illm.° e Exm." Senhor João deCastro Canto e Mello, visconde de Castro, grande do Império. . . etc. Elegia offerecida a sua muita amada e prezada filha, a Illm.a e Exm.a Senhora Marqueza de Santos.; Considerações sobre a Legislação Civil e Criminal do Império do Brasil; Heroides de Olympia e Herculano; e, Jovens Brasileiros.
Quando, em 1810, Ovídio Saraiva retornou para o Brasil, percebeu que os portugueses, venerados nos versos de Poemas, não eram tão merecedores assim, da sua atenção poética. Depois de séculos de exploração do Brasil pela Metrópole, das lutas pela Independência, e do sacrifício de vidas pelo regime democrático, no Império de dom Pedro I, os brasileiros forçaram a sua abdicação. Com a saída do Imperador, Ovídio Saraiva escreveu, em 1831, a primeira letra para a música de Francisco Manuel da Silva, hoje o Hino Nacional Brasileiro, conhecido como Hino Sete de Abril, ou Marcha da Despedida.A composição foi executada pela primeira vez no cais do Largo do Paço (atual Praça 15 de Novembro, no Rio de Janeiro) no dia 13 de abril, hoje, Dia do Hino Nacional (Lei N° 5700/1971): 
Hino Sete de Abril
Letra: Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva
Música: Francisco Manuel da Silva

Os bronzes tirania
Já no Brasil não rouquejam
Os monstros que nos escravizam
Já entre nós não vicejam.

                                          (Refrão)      Da pátria o grito
Eis se desata
Desde o Amazonas
Até o Prata.

Ferros e grilhões e forças
De antemão se preparavam;
Mil planos de proscrição
As mãos dos monstros gisavam.

Refrão

Amanheceu finalmente
A liberdade no Brasil ...
Ah! não desça à sepultura
O dia sete de abril.

Refrão

Este dia portentoso
Dos dias seja o primeiro.
Chamemos rio de abril
O que é Rio de Janeiro.

Refrão

Arranquem-se aos nossos filhos
Nomes e idéias dos lusos
Monstros que sempre em tradições
Nos envolveram, confusos.

Refrão

Ingratos a bizarria,
Invejosos de talentos,
Nossas virtudes, nosso ouro,
Foi seu diário alimento.

Refrão

Homens bárbaros, gerados
De sangue judaico e mouro,
Desenganai-vos, a pátria
Já não é vosso tesouro.

Refrão

Neste solo não viceja
O tronco da escravidão
A quarta parte do mundo
As três da melhor lição

Refrão

Avante honrados patrícios
Não há momento a perder
Se já tendes muito feito
Idem mais resta a fazer.

Refrão

Uma prudente regência
Um monarca brasileiro
Nos prometiam venturosos
O porvir mais lisonjeiro.

Refrão

E vós donzelas brasileiras
Chegando de mães ao estado
Dai ao Brasil tão bons filhos
Como vossas mães tem dado.

Refrão

Novas gerações sustentam
Do povo a soberania
Seja isto a divisa deles
Como foi de abril um dia
Refrão

Em 1841, um poeta desconhecido (talvez o próprio Ovídio) fez versos para a música de Francisco Manoel da Silva, para homenagear a posse de dom Pedro II:
Negar de Pedro as virtudes
Seu talento esquecer
É negar como é sublime
Da beça aurora, o romper

(Estribilho)Da pátria o grito
Eis se desata
Do Amazonas
Até o Prata.
Da pátria o grito
Eis se desata (2x)

Ovídio Saraiva refez a letra do Hino 7 de Abril, já que a mesma era julgada ofensivaaos portugueses:

Amanheceu finalmente
A liberdade ao Brasil
Não, não vai à sepultura
O dia Sete de Abril. (3x)

                          (Estribilho)                 Da pátria o grito
Eis se desata
Do Amazonas
Até o Prata.
Da pátria o grito
Eis se desata (2x)
Do Amazonas
Até o Prata.(2x)

Sete de Abril sempre ufano
Dos dias seja o primeiro
Que se chame Rio d´Abril
O que é Rio de Janeiro.(3x)
Estribilho
Uma regência prudente
Um monarca brasileiro,
Nos prometem venturoso
O porvir mais lisonjeiro.(3x)
Estribilho
Neste solo não viceja
A planta da escravidão;
A quarta parte do mundo
Deu às três melhor lição.(3x)
Estribilho
Lançados por mãos d´escravos
Não tememos ferros vis,
Ferve amor da liberdade
Até nas damas gentis.(3x)
Estribilho
Novas gerações sustentem
Da Pátria o vivo esplendor,
Seja sempre a nossa glória
o dia libertador.(3x)

Talvez a única gravação deste Hino, esteja na voz da cantora Luiza Sawaya, especialista em música brasileira do século XIX: A apreciação pela canção brasileira de câmara nasceu da minha identificação com a delicadeza dessas cantigas. A inesgotável criatividade rítmica melódica e poética da canção brasileira me seduz e me leva a divulgá-la. (www.luizasawaya.com).
Luiza Sawaya é cantora soprano brasileira, atualmente residindo em Lisboa, Portugal.  Resgata e divulga a música do Brasil Imperial, procurando conhecer suas raízes.



Capa do CD Brasil Imperial de Luiza Sawaya. O disco gravado em Lisboa, em 1991, resgata oHino Sete de Abril, com letra do parnahibano e piauhyense Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva, e a música do maestro carioca Francisco Manoel da Silva, de 1831.

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