quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Meu carnaval.



Com o passar dos anos o meu carnaval tem se tornado cada vez mais contemplativo, nem por isso, menos interessante.  A participação na rua, ainda possível, me torna um observador privilegiado, com senso crítico apurado, colhido em décadas de folia. Passei pelo corso na Rua da Concórdia, Aurora, Nova e Imperatriz, pelos grandes clubes sociais, Internacional, que não abrigava coisas como Cafuçu e similares, mas, o autêntico e verdadeiro carnaval. O Clube Português, Náutico, as manhãs de sol do Sport, Baile dos Casados no Atlético, todos com orquestras de frevo e músicos locais faziam a alegria do folião. Na Pracinha do Diário a concentração dos clubes, troças, blocos, caboclinhos, maracatus, ursos, todos no mesmo local, respeitando dia e hora, além é claro as características de cada agremiação. Os tempos são outros, o público cresceu, o número de agremiações também, outros interesses, além de fazer um bom carnaval surgiram para gerar receita. Foram criadas empresas para administrar os clubes, tornando assim, o lucro, a coisa mais importante. Falando desse jeito, parece que sou um saudosista empedernindo, conservador, aquele que quer um carnaval estático, sem mudanças. Não. Sei que isso não é possível, porém defendo a manutenção das nossas tradições, das origens, da cultura milenar, pois é isso que os pernambucanos gostam e os turistas querem ver. Quem vai para o Rio de Janeiro no carnaval quer ouvir samba, quem vem para o Recife quer ouvir frevo, cada macaco no seu galho.
 

Voltando ao meu carnaval. Nos últimos anos tenho fotografado cenas de rua nos dias de momo. Com que finalidade? Deixar um registro, para que mais adiante, gerações vindouras possam pelo menos ter uma ideia do que foi o carnaval de Pernambuco, já que as tradições culturais estão ameaçadas de extinção. Da mesma forma que existe que lute pela preservação de alguma espécie, como o famoso mico leão dourado, vamos ao menos, na hipótese de desaparecimento do carnaval deixar imagens e dizer: Foi assim.


Reproduzo aqui o excelente texto do escritor e jornalista do JC José Teles do dia 06 de fevereiro, sobre o nosso carnaval e que me serviu de inspiração para escrever estas linhas.

O Carnaval do Recife é show.
Eu não simpatizo com shows no Carnaval. Se eles são inevitáveis (pelo modelo que se instituiu no Recife), que ao menos os cantores e bandas montem um repertório carnavalesco (marchinhas, frevos, sambas, por aí). Não tem sentido artista pop ou de MPB fazer show de carreira no Carnaval, a não ser no Rec-Beat, o polo alternativo. Folião só canta e dança o que conhece. Com... O  rádio só toca o popularesco, o folião médio desconhece o que canta muita gente que "anima" o carnaval recifense. Cantores e cantoras que não tocam no rádio. Isto criou o folião passivo. Ele não brinca o carnaval, assiste ao show do carnaval MPB, parado diante do palco.
Já o turista, este não vem para o Recife assistir a shows de cantores de FM, que pode ver onde mora, na TV ou ouvir em discos. Tampouco veio ouvir sertanejos e axezeiros, que é o que se vê e ouve (em DVD) na imensa maioria dos bares e restaurantes do Recife. A prefeitura e secretaria de Turismo, poderiam tentar convencer proprietários de bares e restaurantes a tocarem música carnavalesca pernambucana, ao menos no Carnaval. É isto o que o turista quer, não o que toca na novela, a estrela da vez paulistana ou a nova descoberta paraense. Pernambuco tem vários ritmos que nenhuma terra tem (sem patriotada), e de boa qualidade. O problema é que nunca aprendeu a vendê-los.

Jornal do Commercio, 06 de fevereiro de 2013 ("Toques") - José Teles.













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