quarta-feira, 17 de maio de 2017

Alfredo Miranda



Cada do CD

Casualmente quando procurávamos um livro de um autor local sobre a cidade de Viçosa do Ceará encontramos a Casa dos Licores e ficamos conhecendo a história de Alfredo Miranda. Transcrevemos o texto abaixo escrito pela filha do músico.


Alfredo Miranda
Traz para nós, xotes, mazurcas e valsas antigas.
Texto: Verônica Maria Mapurunga de Miranda
                  Algumas delas anônimas, perdidas no tempo e resgatadas  na memória nostálgica  e plangente  de seu "pife". Algumas delas conhecidas, mas tocadas de forma original , com arranjos   e "floreios" especiais, próprios do mestre do "pife". Além dos arranjos, os títulos também mudam em uma visão particular  calcada na memória dos "tempos antigos".
                      O  som especial do instrumento feito de taboca  (um tipo de bambu) é rústico, é telúrico, nos lembra a terra com seu cheiro molhado em dias de chuva. O repertório é antigo  e nos traz reminiscências  de um tempo que não vivemos, mas que podemos sentir quando olhamos as casas antigas, e as árvores centenárias de nossa cidade-Viçosa do Ceará.
                        Entre canções de sua autoria e de outros  compositores da terra, ele resgata para nós, a efervescência cultural vivida pelos viçosenses, em sua cidade, desde o final da década   de 20 até a década de 40.
                 Período de turbulências políticas, foi também época de grande  desenvolvimento cultural, quando marchas e frevos conviviam harmoniosamente  com as antigas mazurcas, valsas e xotes, nos salões do antigo Gabinete Viçosense de Leitura (sociedade lítero-cultural) e na sede da Legião Operária (Círculo Operário Católico). Ao mesmo tempo em que se editava o jornal  Polyanthéa do Gabinete Viçosense de Leitura, e o cinema mudo (instalado no antigo Teatro D. Pedro II) transformava-se em cinema falado, os mestres das bandas (Marreta e Democrata) ligadas aos dois partidos políticos da cidade, desfilavam suas composições em retretas no coreto da praça, em alvoradas, nos salões de baile ou pelas ruas da cidade.
                    A memória musical desse período confunde-se com a própria trajetória de Alfredo Miranda que viveu sua mocidade nessa época, como ativo partícipe dessas atividades.  Mesmo tendo aprendido os primeiros acordes musicais do seu "pife"no Sítio Buíra onde nasceu, com antigos mestres do "pife" tão comuns naquela época, é no seu engajamento nas várias  atividades sociais e políticas da cidade que vai incrementar seu repertório: como membro da Legião Operária, nas festas do Gabinete Viçosense de Leitura, como operador do cinema,  e nas breves aulas na escola de música de João Sacristão.
                    Naquela época, a cidade era o palco das imorredouras bandas Marreta e Democrata e dos seus "mestres" (ou maestros), que povoavam Viçosa do Ceará de música, trazidos agora para nós, através do tempo, por Alfredo Miranda ao Pife.
Toca Menestrel! A cidade te escuta e te aplaude!                             
   Verônica Maria Mapurunga de Miranda










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