quinta-feira, 4 de julho de 2019

A cachaça de ontem e de hoje.



Premonição?

Estas linhas foram escritas há muitos anos por Aloísio Inojosa quando a cachaça ainda não tinha status de bebida fina, era coisa de alcoólatras e marginais. Nenhum restaurante da elite ousava servir este tipo de bebida encontrada apenas em barracas e botecos. A bebida não era servida em ambiente familiar, beber cachaça era o fim da linha para muitos.

Hoje reconhecida como patrimônio nacional graças ao empenho do Presidente Lula faz parte do cardápio das melhores casas do mundo. Com novas embalagens, novos rótulos, envelhecidas em barris de Carvalho e Umburana, qualidade controlada por químicos competentes e preços que superam o wisque doze anos a cachaça é a bebida preferida de muitos e um lucrativo negócio no ramo.

No Recife da minha juventude apenas duas marcas disputavam a preferência dos consumidores, Pitu e Serra Grande, outras como Ypioca (Ceará) e Chica Boa (Bahia) apareciam eventualmente mas nunca se firmaram no mercado. As mineiras ainda não tinham a fama de hoje, embora fizessem sucesso nas Gerais.


...Acho que o governo, com auxílio da ciência, bem que podia transformá-la numa bebida fidalga e produto de exportação: para isto bastava que alguns químicos experimentados lhe tirassem o cheiro que deixa na boca dos que dela fazem uso.
Também um processo de envelhecimento, como fazem com o uísque, no país de origem. No dia que se conseguisse isso, então ela conquistaria facilmente o mercado interno e seria levada ao externo. Desta forma o Brasil torná-se-ia conhecido no mundo inteiro.

Palavras do personagem Roberto no livro Doutor Kantiflas – Filosofia de um banqueiro.
Autor Aluísio Inojosa falecido em 1982, tendo este escrito estas linhas em meados dos anos sessenta.

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